sábado, 7 de março de 2009

Esther

Ela era ela, como sempre foi.
Agora, dia após dia, tem olhos vazados, vazios, ocos.
Era ela, Esther, aquela mulher, de vida, sem-vida.
Luta, ainda, ela, acostumada à labuta.
Pensa, ainda, na unha por fazer, na casa por cuidar, nas filhas...que não se falam,
e brigam,
e xingam,
e esquecem da morte,
e seguem a vida.

Ela passará.
Cada olho, do seu olhar verde, vejo, sumirá.
Vou admirar o mar, e lembrar de Esther.
A minha, matriarca, rude, forte, quente e fraca.
Linda velha, mais velha, mais velha, mais velha,
e linda, no reflexo dos meus olhos verdes que saíram dela.

Não solte minha mão!
Não!
Sou a menina. Sua menina de tranças.
Era ela ainda, para mim, apesar de não ser mais pra ela.

Para minha avó, Esther.

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