Meu despertador toca três vezes: urgente, urgente, urgente!
Me viro entre pão, café, banho e pressa.
Não esqueço o salto, mesmo que derreta no asfalto
e me deixe longe de alcançar os sonhos,
estes sim, urgentemente postergados.
Entre tragédias, fofocas e barracos, passeio de barca no jornal.
Visito cada página:
Favela,
Asfalto,
Pobre,
Puta,
E rato.
Todos em frases, lado a lado.
Suborno, palavra destaque.
Fome, pé de página.
Faço barco de papel do meu jornal.
Afasto a favela e corro pro asfalto.
Meu dia não cansa de virar noite,
e logo a noite se faz dia,
em caráter de urgência.
sábado, 7 de março de 2009
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