sábado, 7 de março de 2009

Vi desse Jeito

Vi desse jeito.
O pai chegou na frente, morto.
O filho atrás, meio vivo, todo torto.
Inconsolável. Era apenas um homem esguio, de cabeça baixa.
O Corpo trêmulo, encaixava nos nossos braços.
Abraçado tão forte, ele não percebia, mas se entregava.
Mal parecia o nosso João, mas era.
Um João sem pai.
Um João sem chão.
Um João, sem João.

Vi desse jeito o velório.
Uma meia morte do filho.
Sim, existe morte partida!
Perda que não volta, de um amor sem poréns, sem perguntas.
De um amor encantado. Como o de João por João.

João tem orgulho do nome do avô, que foi do pai e agora é seu.
João Augusto de Andrade.
Que era um quase-corpo, tentando voltar no tempo. E impedir.
Queria dizer que sim meu amigo, mas não.
Não podemos voar tão alto.

Vi desse jeito você.
E lembrei de mim. Quando perdi o meu, que de João só não tinha o nome.
Mas era amor. O nosso primeiro amor.
Sei das suas lágrimas, das lembranças, dos detalhes, do jeito.
Sejamos então como eles, meu querido João.
Sejamos mais!
Voemos tão alto até cairmos.
Morrermos.
Sabendo ao menos que fomos quem deveríamos ser.

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Para João Augusto de Andrade

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